Aleitamento Materno: uma responsabilidade coletiva

O mês de Agosto é dedicado à intensificação das ações de educação, promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Para conscientizar a população mundial sobre a importância deste tema, em 1991 a Organização Mundial de Saúde (OMS), em parceria com o UNICEF determinaram diretrizes importantes para os países signatários. No Brasil, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) incentivam, com a mesma finalidade, o Agosto Dourado.

Os primeiros meses de vida de um recém-nascido giram em torno de experiências cognitivo-sensoriais e necessidades básicas. Dentre as necessidades básicas, destacamos que a nutrição exerce papel fundamental na qualidade de vida deste bebê. Estima-se que o aleitamento materno pode evitar 13% das mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas evitáveis. Além disso, o leite materno protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. Ele também diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes, além de reduzir a chance dos bebês desenvolverem obesidade.

Mas os benefícios vão além do desenvolvimento sadio de um sistema imunológico forte e se estendem para o campo da constituição da estrutura psíquica desta criança. O ato de amamentar cria entre a díade mãe-bebê um vínculo emocional que será fator determinante para a constituição da estrutura psicológica desta criança. Aspectos como autoconfiança, ansiedade, capacidade de lidar com frustrações, qualidade das interações sociais e principalmente a capacidade de confiar, são resultantes de uma sadia interação entre este par.

Portanto a mãe, no ato de amamentar, é o ambiente que acolhe o bebê e deve ser suficientemente boa porque atende, ao bebê, na medida exata das necessidades deste, e não de suas próprias necessidades, como, por exemplo, a de ser boa ou muito boa. O que o bebê necessita é da preocupação e dos cuidados efetivos de uma mãe real, que continua sendo ela mesma, falível porque humana, mas confiável exatamente por ser falível. Importante ressaltar que esta mãe também tem necessidades, e o papel do pai como agente de suporte se faz necessário.

Ele é tão capaz de cuidar do filho quanto a mãe. Ajuda-la nessa tarefa faz com que a criança perceba que existem também outras pessoas interessadas nela, nas quais ela pode confiar.  No futuro, isso pode render frutos que direcionam o bebê rumo a independência. Foi pensando em todos estes aspectos que o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz criaram em 1998, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), com a missão de educar famílias, coletar e distribuir leite humano com qualidade certificada e contribuir para a diminuição da mortalidade infantil.

Em 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a RBLH-BR como uma das ações que mais contribuíram para redução da mortalidade infantil no mundo. De 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil reduziu 70,5%. Os desafios futuros relativos a este tema são os de fortalecer ações de promoção e incentivo ao aleitamento materno, considerando ser de responsabilidade social, um olhar cada vez mais humano para o papel da família na sociedade.

Ana Paula Uzar Almeida Girardi – Coordenadora de enfermagem UTI neonatal

Marcos Costa de Oliveira – Psicanalista